Aventuras Augustinas 1 – Wacken Open Air 2008

Bom, como começar, por onde começar??

Wacken Open Air, o maior festival de metal do mundo. O mais famoso, com o maior número de bandas, etc, etc, etc… bom, pelo menos é isso que os caras da organização do evento dizem.

Na verdade, o megafestival Graspop garante que tem mais visitantes que Wacken.

Mas isso não interessa. O que importa é que foi a primeira vez na minha vida em que eu fiquei mais de 3 dias acampando. No total, foram 5 dias completos no acampamento. Cinco dias sem tomar banho. Cinco dias lavando só o cabelo e os pés na bica. Cinco dias ouvindo metal 24 horas por dia, cinco dias ingerindo comida enlatada e somente bebidas alcoólicas. 

Bom, mas vamos por partes.

Pra quem não sabe, Wacken é uma pequena e bucólica localidade no Norte da Alemanha, com 1.858 habitantes :-O , 7,10 quilômetros quadrados, cuja principal atividade econômica é a pecuária.

  dica : documentário “Full Metal Village“, mostrando a vida no vilarejo antes, durante e depois do festival …

O festival: existe há 19 anos e atualmente conta com 65.000 visitantes oficiais, sem contar com o pessoal da organização, o pessoal que tem stand na feira de metal, o pessoal das bandas e de suporte das bandas…  São 3 mega palcos (“Black Stage”, “True Metal Stage”, “Party Stage”) para os mega shows, mais dois ou três pequenos palcos nas áreas de festas (“Beer Garden” e “W.E.T. Stage/ Headbangers Ballroom”).  Cerca de 90 bandas neste ano.

É gente pra c*cete, pessoal!! É gente saindo pelo ladrão. Todo mundo acampado, todo mundo ali só por um e único motivo: METAL.

Primeiro dia: 28.07. – pegamos (nós: 9 metalheads, sendo 8 austríacos e 1 brasileira! 🙂 ) o trem noturno de Viena a Hamburgo. Cerca de 12 horas no trem. O ânimo à toda prova, aparelho de som no máximo, muita cerveja, baralho, pão com mortadela e muita muita muita vontade de ver o Iron Maiden ao vivo!  🙂

Segundo dia 29.07. – chegamos a Hamburgo. Moídos. Mas com o ânimo à toda prova. Afinal, falta pouco pra gente chegar a Wacken…  – Descemos do trem, pegamos os 3 carros (que viajaram no vagão de carros, lógico), lotados de coisas de camping, cerveja, comida e muitos eteceteras… e pegamos estrada. Parada básica no McDonalds pra matar a fome das lombrigas.

Por volta do meio dia chegamos ao camping site de Wacken. Caraca, chegamos 1,5 dia antes de começar o festival e o acampamento já tava 30% (ou mais) ocupado. Conseguimos pegar um ótimo lugar, não muito longe da área de shows, não muito longe dos banheiros. Montamos barracas pra dormir. Montamos as tendas de festa. cavamos buraco no chão pra meter as latas de cerveja (truque muito útil no verão, pois a cerveja enterrada a 80 cm fica sempre fria), demarcamos o território pra quando os demais amigos austríacos e noruegueses chegarem. Bebemos cerveja. Muita. 🙂

Terceiro dia 30.07. – comecei a sentir os efeitos de ficar dias sem tomar banho. E olha que o festival ainda nem tinha começado oficialmente. Tive algumas experiências desagradáveis nos banheiros gratuitos “de plástico” (os chamados “Toi Toi” ou “Dixies”) e decidi comprar talões de utilização dos banheiros tradicionais. Melhor investimento da minha vida. 😛

Bebemos cerveja. Comemos enlatados. Bebemos Uísque, vinho, vodka, melancia atômica. Andamos pelo acampamento inteiro, vimos gente do mundo inteiro, bandeiras do mundo inteiro (eu garanti minha bandeira do Brasil, pendurada com todo orgulho na tenda de festa!). Bebemos mais. Trocamos os ingressos pelas fitinhas de pulso que dão acesso à área de shows e os nossos “Full Metal Bags“. Bebemos mais.

Neste ínterim chegaram mais uns 5 austríacos amigos do pessoal, e todos acamparam com a gente.

À noite teve “movienight” com o recém-lançado documentário “Global Metal“, parcialmente gravado no Brasil, altamente recomendado.

Quarto dia, 31.07. – hoje é dia de IRON MAIDEN!! – caraca, mal dormi, até sonhei com o Bruce Dickinson pulando feito doido no palco.  Nossa, o dia até parecia não querer passar. Tomamos café da manhã (salada de fruta enlatada e cerveja). Bebemos. Bebemos. Bebemos. Visitamos o “Full Metal Market”, com dezenas e dezenas (a perder de vista) de stands com todo tipo de mercadoria diretamente relacionada, indiretamente relacionada e também completamente nada a ver com metal. Verdadeiro mercado pra comprar de tudo.

Neste meio tempo chegaram os noruegueses!! Ô povo gente boa!!! Eu já amava os noruegueses desde as férias em Oslo, mas depois de Wacken eu gosto deles ainda mais!!!  Povo tranquilo, sem stress, bom de copo, divertido, e muito entendedor de metal!  🙂 

Eu queria assistir às garotas do Girlschool, mas já acabei capotando no gramado e só fui acordar quando faltavam SÓ duas horas pro show do Iron Maiden!!! :-O 

Bom, daí teve o show do Maiden. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, o show do Maiden. Isso é pura poesia.  Remeteu-me ao Rock in Rio I, em 1985… boa época, aquela. Aaaaaaaaaaaaah o show do Maiden. Me fez lembrar dos primeiros amigos “metaleiros” que tive.  Me fez lembrar de tantas noites gritando “run to the hills” com um copo de Guaraná Antarctica na mão (naquela época eu não bebia cerveja…)… aaaaaaaaaaaaah o Maiden, o Maiden… desde o primeiro segundo até o último grito do coro “MAI-DEN! MAI-DEN!”, o show do Iron Maiden é único. Não há nada como um show ao vivo de uma das maiores bandas do planeta Terra.

Todos os cabeludos, carecas, adolescentes, trintões, quarentões, cinquentões, sessentões, estudantes, empresários, desempregados, mulheres, homens, indecisos… simplesmente todo mundo feliz. Feliz MESMO. Cantando aos berros “run… live to fly… fly to live… do or die!!”. Todo mundo em paz, feliz, contente, satisfeito…. todo mundo sorrindo e gritando e se acabando no headbanging. E tudo isso por causa do Iron Maiden. Foi realmente poético.

Depois do Maiden eu nem quis saber de mais nada. Voltei que nem uma adolescente, rindo por dentro, até a minha barraca, e demorei quase duas horas pra pegar no sono, pensando em todas as coisas maravilhosas que eu já vi na minha vida (e que não foram poucas!!!), e pus o show do Iron Maiden bem ali na prateleira de coisas incríveis.

Quinto dia, 01.08. – primeiro pensamento ao abrir meus olhos: “preciso de um banho. não aguento mais o meu próprio cheiro!”. Segundo pensamento: “não posso tomar banho, pois banho não é ‘troo metal’… “. Terceiro pensamento: “abençoadas sejam as indústrias cosmética e farmacêutica, que permitiram o desenvolvimento de maravilhas do mundo moderno como os lenços umedecidos!”.

E assim começou o dia. Depois de um pingado (com uma boa dose de conhaque), da já tradicional lata de salada de fruta e de um bom pão com mortadela… a Vera e eu resolvemos pôr nossas perucas coloridas (a Vera de azul, eu de roxa!)… ui, peruas no último!!!

Wigs at Wacken Open Air

Daí descemos até o Black Stage pra assistir ao show do Grave. Depois pegamos o Job for a Cowboy e eu fiquei, na sequência, pro show do Ensiferum.  Ainda não tinha cansado, resolvi ficar no Black Stage, mesmo, pra pegar o Soilwork (pqp, quase que eu entrei na Wall of Death, foi por pouco!!!). Fiquei lá mesmo pro show do Opeth (muito bom!!!) , e já fui chegando de ladinho pro True Metal Stage, onde peguei de lambuja o show do Sonata Arctica, quando na verdade eu tava mesmo era querendo ganhar espaço pra assistir ao Children of Bodom. O show do Sonata Arctica foi sossegado (ô banda chatinha!!!), e eu aproveitei pra ficar lá na grade pro show do COB…

… este foi meu erro! Pqp, aviso aos navegantes: NUNCA exponham as costelas de vocês contra as grades de um show do Children of Bodom em um megafestival de metal!!! Aaaaaaaaaaaaaaaaaah! Depois de 5 minutos de show eu já não conseguia mais respirar, um sujeito “cabeludo e de camiseta preta” me viu meio verde, perguntou se eu queria ir à enfermaria. Eu falei: “quero!”. O cabeludo não pensou duas vezes, me puxou, me jogou pra cima e eu caí nas mãos da galera. De bruços!!! Pensei logo: “aff… vão arrancar os cabelos, os peitos, sei lá, vão arrancar pedaços!!”. Mas que nada! A multidão me transportou carinhosamente (sem passar a mão em nada!!! :-O) até a enfermaria, que por acaso ficava no meio do povo, numa plataforma mais elevada, e de lá eu pude assistir ao show do COB beeeeeeeeeeeeem melhor do que se estivesse na grade!! 😛

Bom, depois do show eu aproveitei pra pegar o Corvus Corax, metal medieval de primeiríssima qualidade. Depois disso eu já tava pra lá de exausta e fedida e cheia de lama (choveu bastante durante o dia)… voltei ao acampamento e a gente bebeu maaaaaaaaaaaais e maaaaaaaaaaaaais cerveja!!! E, mesmo fedida e mesmo dormindo no chão duro… putz, eu dormi MUITO bem! 🙂

Sexto dia, 02.08. – o último dia de festival!!! – Como manda a tradição, começamos o dia com salada de fruta em lata e cerveja. 😀

Ficamos bundando no acampamento, visitando o povo ali e acolá, daí fomos até o Metal Market pra assistir ao show de strip-tease das “Ladies From Hell” (aff…), depois engatamos no show do Obituary (puro metal da Flórida!!!), emendamos no show do Carcass (matam MUITO a pau!!!). Estávamos bem cansados, bêbados e detonados, resolvemos sentar no Beer Garden pra beber mais (sabem como é: “evite ressaca: mantenha-se bêbado!”, hehehehehe) e pra assistir aos shows do At the Gates, Nightwish (com a nova cantora, que eu ainda não tinha visto ao vivo – bela voz!) e do Kreator.

Beber cerveja com os noruegueses é o que há!  🙂

depois de dançarmos e cantarmos em pé na mesa do Beer Garden, voltamos ao camping site, tomamos mais umas vodkas e… fim da parte musical do festival!!!!

Sétimo dia, 03.08. – “Não aguento mais o meu próprio cheiro”. E olha que eu dormi com a barraca aberta, pois de outro jeito eu morreria asfixiada lá dentro. Meu deus. Sete dias sem tomar banho. Se dizem que banho faz mal à pele, vou ter a pele mais macia do mundo depois de Wacken.

*suspiro* – levantar. Abrir a lata de salada de fruta. Ficar com ânsia de vômito ao pôr a primeira colherada na boca. Desistir da salada. Buscar um café. Pôr uma dose de conhaque dentro. Abrir uma lata de cerveja. Pegar a lata de salada de fruta de novo. Mandar pra dentro. Suspirar. Olhar para o camping site, agora já 50% vazio (o povo tá indo, o povo tá indo…). Olhar pra minha barraca de camping. Pensar no trabalho que vai dar pra desarmar. Sentir a salada de fruta se rebelar contra o conhaque no meu estômago. Fechar os olhos. Perguntar se alguém tem uma coca-cola. Não, ninguém tem. Abrir os olhos. Levantar. Meter a barraca de camping na sacola da melhor maneira possível. Meter tudo no carro. Voltar a sentar. Suspirar. Entrar no carro 4 horas depois de ter acordado.

… daí, como planejado, pegamos a estrada em direção a Hamburgo. No meio do caminho, como reza a tradição, paramos no McDonalds.

Chegamos ao hotel onde passaríamos a noite, no bairro de St. Pauli, em Hamburgo (teve gente que perguntou pra gente: “vcs vão pagar por noite ou por hora??” :-O).

Chorei de emoção quando entrei no quarto do hotel e vi que tinha um banheiro com CHUVEIRO E ÁGUA QUENTE. Chorei de emoção, agradeci a todos os possíveis deuses e a Darwin pela evolução das espécies que levou o ser humano a necessitar e desenvolver a técnica da ducha quente.

Nunca pensei que pudesse sair tanta sujeira de um corpo humano ao ser lavado. E eu, que achava que tinha pego um “bronze legal” no acampamento, percebi que a cor marrom da pele era uma espessa camada de pó, lama, suor e sei lá do quê. Quando saí dos 45 minutos de ducha, a toalha ainda ficou marrom. Voltei e me lavei por mais 15 minutos.

As maravilhas da sociedade moderna.

Todos tomados banhos? Siiiiim! Fomos passear em Hamburgo. Bebemos cerveja. Cansamos de cerveja. Bebemos uísque ruim misturado com coca-cola. Fomos ao “Dom” de Hamburgo, fomos ao porto, fomos a um submarino que fica aberto à visitação (muito maneiro!). À noite fomos a um pip-show (afinal, estamos em Hamburgo, a cidade mais perversa da Alemanha…). Pagamos somente 5 Euros de entrada, mas cada cerveja custava 25 euros, e o consumo de pelo menos uma bebida era obrigatório. Tudo pra ver mulheres exóticas tirando a roupa enquanto rebolam… 😛

Enfim, depois de tudo isso… dormir em UMA CAMA!!! – depois de uma semana dormindo ou no trem, ou no chão duro de Wacken!!! – foi uma experiência indescritível!

OITAVO DIA , 04.08. – ninguém mais aguentava olhar nem pra cara do outro! Todo mundo cansado, com vontade de chegar logo em casa, pensando no trabalho, pensando em tanta coisa pra fazer…

Cada um comprou um livro, umas comidas, entramos no trem, NAO tomamos cerveja, lemos, dormimos e no dia seguinte falamos: “e aí, quando compramos os ingressos pro Wacken Open Air 2009?” 

😀

bom, então tudo indica que no ano que vem estaremos de novo lá!! 🙂

… mas, pra quem estiver lendo isso aqui e morar no Brasil, se quiser ter uma palhinha de como é um festival Wacken Open Air, fiquem de olho: acabei de ler no site de Wacken a seguinte notícia: vai ter um “Wacken rocks Brazil” em maio de 2009. Não sei quais bandas estarão aí na minha pátria amada idolatrada salve, salve, maaaaaas… vale a pena conferir!

PS: ööhm… eu pus algumas fotos online, mas só mesmo no meu perfil do MySpace…  http://www.myspace.com/nuala_die_fee  – quem tiver conta no MySpace pode ver lá… 😛

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2 Responses to Aventuras Augustinas 1 – Wacken Open Air 2008

  1. Gaby says:

    mulher,
    eu tenho dois hiper ultra mega amigos que foram esse ano pro wacken!!!!
    deveria ter de avisado, eles passaram 45 dias ai rodando e conhecendo tudo!!
    dei mole vcs iam gosta uns dos outros, mas parece que ano que vem eu vo mesmo…
    achoq ue agora sai
    =***
    vo ler com calma depois
    tnehoq ue ir trampa
    Muah
    Gaby

  2. […] – Wacken Open Air (maior festival de metal do mundo) + visita a Hamburgo – de 28.07.08 a […]

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