Pois é pessoal… título nojento, e a situação foi nojenta também. Nojenta e revoltante.
Eu nem deveria escrever um post contando esta história, pois sei que minha família costuma ler isso aqui, e eles vão ficar p. da vida com o que ocorreu, e também por eu não ter contado por telefone ontem. Mas agora já foi, o susto passou.
Foi o seguinte: ontem eu passei o dia inteiro na Biblioteca estudando, pô, baita sabadão (tudo bem que os dias continuam nublados, úmidos e não faz frio suficiente pra nevar… hmpf), e eu lá na clausura…. ok. Fim do dia, resolvi passar no supermercado pra comprar umas comidinhas e tal.
Voltando pra casa, cheia de pacotes, passaram dois moleques de bicicleta do meu lado, e um deles cuspiu na minha cara. Eu fiquei putíssima e xinguei o cara de “Arschloch” (algo como filho da puta em Alemão)
Daí os caras ficaram putíssimos com o meu xingamento e resolveram parar. Um deles me segurou por trás (pela mochila), e o outro veio pela frente, segurou minha cara e cuspiu com tudo bem no meio. Depois me deu um soco fraco no estômago e falou alguma gracinha do tipo “AGORA eu sou um filho da puta”. Pegaram as bicicletas e foram embora.
PQP, eu comecei a chorar muito, fiquei em choque, mais pela abordagem de sopetão e inesperada do que pela agressão em si.
Não deu pra entender. Os garotos – de uns 17 anos, por aí – não eram skinheads ou neonazis, não estavam bêbados e, pela “força” do soco do garoto (só doeu na hora, e nem foi assim tanto), também não estavam a fim de me estrupiar na porrada. Acho que foram só dois teenagers idiotas que comeram cocô quando eram crianças, e o cocô foi direto pra cavidade oca que havia no interior do crânio deles.
Bom, depois que eles foram embora, eu chorei e comecei a tocar todas as campainhas da vizinhança. NINGUÉM atendeu. NINGUÉM ajudou. Eu comecei a gritar por socorro, e uma única pessoa atendeu – um estrangeiro que não sabia falar nem Alemão, nem Inglês. Foi difícil me comunicar com ele (o cara é árabe), então ele ligou pra dois vizinhos e os três tentaram me acalmar. Eu lavei o rosto daquela coisa nojenta, e não conseguia parar de chorar.
Daí os três me levaram de carro até o meu bairro, eu fui pra casa, chorei mais, acabei acordando meu flatmate, ele me acalmou mais um pouco, eu tomei um banho de bucha pra limpar tudo de vez, e, seguindo a orientaço do meu flatmate, fui à Polícia.
Na Polícia, claro que demorou um pouco. Mas eu já tava bem mais tanquila, percebi que no final das contas eu tava mais moralmente do que fisicamente ferida.
A policial (sim, eles já mandaram uma mulher, que era pra eu não me sentir melindrada) foi muito atenciosa, simpática e empática, escreveu tudo em pormenores, foi super gentil. Ela perguntou se eu conseguiria reconhecer os dois agressores, eu infelizmente não conseguiria. Os garotos têm cara de qualquer adolescente alemão: brancos, olhos claros, mais altos que eu e um dialeto ridículo que – como em qualquer lugar do mundo – todos os adolescentes insistem em manter. Mesmo assim a policial registrou a queixa e deu entrada numa solicitação de ressarcimento de danos morais. (isso “se” os garotos forem achados, o que eu acho difícil, mas mesmo assim tá valendo)
E é isso. Depois de mais de uma hora na delegacia eu voltei pra casa, até liguei pra minha família, mas eu não quis contar isso porque eu ainda não tinha acalmado meus nervos completamente.
Agora que uma noite de descanso já se foi, que eu não tive nenhum outro problema físico derivado do soco no estômago e tal… agora tá tudo beleza. Eu só me sinto humilhada, mas… bem, tá, vou tentar “look on the bright side”: poderia ter sido pior. Pelo menos foram só dois adolescentes que provavelmente estavam com tédio. Se eu tivesse topado com neonazis, provavelmente não estaria mais aqui pra contar esta história pra vocês.
E por fim pensei na ironia do destino: morei 28 anos em um dos países mais violentos e perigosos do mundo e nunca sofri nenhuma agressão deste tipo (exceto por brigas e porradas em bares, mas daí eu também tinha minha culpa, né?), e fui justamente passar por isso no país mais seguro que existe na atualidade.
A vida é mesmo curiosa. E continua sendo interessante e valendo a pena!
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PS1: de qualquer forma, eu já sabia que eu não iria morrer ontem! Eu consultei uma fonte SEGURÍSSIMA *rs* que me disse que eu ainda tenho alguns anos pra viver:
http://www.estasmuerto.com/
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…. sério pessoal, este site é MUITO ENGRAÇADO!! Cliquem no link “Tu hora” e calculem o dia em que vocês morrerão, e como!
(é em Espanhol, mas dá pra entender bem!)
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PS2: Mudando um pouco de assunto: hoje faltam 32 dias pra eu desembarcar no aeroporto do Galeão!!! Uhuuuuuuuuuuuuuuu!!! … homeward bound… lalalalalalalalalalala…
só de saudade da terrinha resolvi ouvir rádio brasileira:
(tá bom, a rádio é brasileira, mas só dá pra perceber isso nos intervalos, quando os DJs falam, ou quando tem propaganda, hehehehehehe…)
d^^b http://www.kissfm.com.br/
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)
:-*