Oi Povo!!
Bom, finalmente tenho internet de novo em casa!!
É que eu tava com uma versao bichada de sistema operacional, entao pedi pra um dos moleques daqui de casa instalar um novo, só que tava sem servidor de internet configurado, mas hoje finalmente rolou, oba!!!
Entao vamos ao que interessa!! O relato de Lisboa!!!
Bom, embarcamos em Nürnberg no dia 6 de junho pela manhã, o dia nublado, cinza, fazia até um pouco de frio, daria até pra desanimar, mas uma das meninas tinha levado uma garrafa de champanhe pra comemorarmos a viagem, entao todo mundo já embarcou alegrinho: oito pessoas ficariam na casa de um colega que é 1/2 portugues, 1/2 alemao.
Nao vou mentir proceis, no início, enquanto todo mundo planejava farra, praia e cerveja pela semana inteira, eu só pensava: “nada de farra e praia e cerveja. Eu faço isso no Brasil. Vou lá pra ver a cidade, visitar museus, etc etc”.
E foi assim que viajei. Três horas de viagem, com direito a escala em Zurique.
Chegamos a Lisboa. Três dos colegas já nos esperavam no aeroporto.
Assim que cheguei já comecei a sentir o clima: “curioso, todo mundo fala português aqui!!! “
… ” e com sotaque carioca, com ’s’ chiado e tudo mais!!”
Daí sentei com o pessoal pra esperar o carro que eles tinham alugado e tudo o mais, veio o garçom, brasileiro, com sotaque de Ribeirão Preto. Daí já começou, bate papo e eu acabei ganhando um prato de feijao com peixe frito de graça!! (eu devo ter MESMO cara de esfomeada!!).
Comecei bem, daí fomos pra casa, largamos as coisas lá e fomos à praia, só pra sentir o ar marítimo… aaaaaaaaaah!!! Que delícia!!!
Gente, fazia tempo que eu nao me sentia tao bem!! Mais especificamente, desde que estive no Brasil, em janeiro!!
Sol, calor, areia, água, ondas… eu nunca fiquei tao feliz em ver o mar quanto desta vez!! E pensar que o Brasil tava ali, logo depois daquela água toda…
Bom, à noite fomos comer num boteco perto de casa, e qual foi a minha surpresa qdo vi que a comida era… FEIJAO PRETO!! Meu Deus, a comida que eu mais amo neste mundo!! Tudo bem que o melhor feijao preto do mundo é o da minha mae, nao tem discussao, mas aquele lá em Portugal tava taaaaaaaaao apetitoso…
A minha surpresa maior foi quando o tiozinho veio com uma picanha ao alho, dizendo “especialmente pra brasileira…”
Caraca, e eu que nao sou lá muito chegada a carne… mas… pô, o tiozinho foi tao simpático, nao resisti, e comi a danada da picanha, que… tava boa!! Nossa, eu nao me lembrava mais de ter gostado tanto de comer uma carne, mas e nao é que tava boa mesmo?? Ou será que foi saudade do Brasil?
Nem sei, só sei que daí eu me animei pacas, pois só eu e o 1/2 português falávamos o idioma local, e as demais 6 pessoas eram 5 alemaes e 1 irlandês, entao fiquei servindo de intérprete, sendo que eu mesma desconhecia várias expressoes e palavras, foi hilário.
Na segunda comecei minha peregrinacao histórica. Peguei um trem , ou melhor, um “comboio” até o Belém (o bairro mais tradicional de Lisboa), visitei a Torre de Belém, o Padrao dos Descobrimentos e até tentei entrar no Mosteiro dos Jerónimos, mas tava fechado. Entao decidi atravessar a cidade a pé. (se vcs quiserem ter uma nocao das distancias e localizacoes, procurem um mapa de Lisboa no www.sapo.pt pra acompanhar a descricao da aventura…).
Subi até o Palácio Nacional da Ajuda, que por azar tb tava fechado (claro, claro, era segunda-feira…)
Fui seguindo pela Calçada da Tapada, vendo as lojinhas (os precos em Portugal sao absurdamente menores que os daqui da Alemanha), até chegar ao bairro da Alcântara.
Fui direto ao Palácio Real das Necessidades, um prédio enorme rosa-choque com um jardim muito grande e muito lindo com vista pro rio Tejo. O palácio (século 18) era originalmente um monastério, construído em 1742 para atender ao desejo de D. Joao de homenagear Nossa Senhora da Saúde. O por quê do nome, “das Necessidades”, ainda nao entendi…
… segui pelo Cemitério dos Prazeres (caraca!! é lá que enterram todos os prazeres que morreram?!), subi pela Igreja de S. Condestável até a Casa de Fernando Pessoa, que é onde fica o Museu da Poesia. É a casa em que Fernando Pessoa viveu os últimos 15 anos de vida. Tem vários documentos e manuscritos e o quarto do escritor, que, segundo as plaquinhas, é o único aposento da residência mantido intacto. E eu acredito, o resto virou realmente museu e nos fundos tem um restaurante muito legal.
Daí eu fiquei com fome, já era 1 da tarde, comi feijao, arroz e ovo frito!! Que delícia, fazia tempo que eu nao comia uma refeicao tao gostosa!! E o melhor: de sobremesa, pudim de leite moça!! hmmmmm…
Bom, pra fazer a digestao acabei indo à cabeleireira aparar a juba, que nao via tesoura desde dezembro (no Brasil), e eu nao pude resistir, pois, enquanto aqui na Alemanha os saloes “maisoumenos” cobram 30 Euros o corte (mais de 100 Reais), e eu já tive a desagradável experiência de cortar meu cabelo aqui (e ficou MUITO RUIM), em Lisboa custou 9 Euros (mais de 30 reais), e o corte ficou muito bom!
Segui adiante, fui à Basílica da Estrela, que foi construída entre 1779 e 1793, e também conhecida como Basílica do Coracao de Jesus. Parece que uma das rainhas de Portugal mandou construir a Basílica em agradecimento ao nascimento de seu filho, mas nao lembro qual rainha nem quem era o filho. Sei que na frente fica o Jardim da Estrela, muito bonitinho, com um coreto musical, muitas árvores e muita água…
Falando em água, logo depois segui à “Mãe d’água das Amoreiras”, um lugar muito fofo com uns arcos e azulejos (os azulejos portugueses sao uma história à parte). A Mãe D’água é o maior reservatório da cidade, e lá dentro tem um lagão grandao e um museu fofinho com fotos da história da cidade.
O dia já tava acabando, mas ainda deu tempo de ir ao Parque Eduardo VII, que é um jardinzão meio com ares de francês. Tem uma estufa com plantas tropicais, coisa que nao se vê aqui na Alemanha. E uns azulejos (de novo os azulejos) muito bonitos.
Daí eu voltei pela Av. da Liberdade até a praça do rato, onde peguei um metrô, depois um trem (digo, comboio) e um ônibus (digo, autocarro) até chegar à casa, onde todos me esperavam pra irmos jantar. Eu tava morta de cansaco, mas quando lembrei do feijao preto me animei rapidinho. Desta vez fomos a outro restaurante, e assim que o portuguesinho me viu, já veio trazendo feijao preto e picanha ao alho. Será que todos os brasileiros só comem isso, quando vão a Lisboa???
Depois do jantar o pessoal foi pra balada, mas eu tava quebrada, fui pra casa e fiquei assistindo novela… brasileira!! Hehehehehe…
Na terça feira nao resisti e fui à praia com o pessoal. Aaaaaaaaaaaaaaaah, como praia é uma coisa boa!! Eu nunca tinha sentido tanta falta da praia… fomos a uma praia que nao fica em Lisboa. Uma praia muito fofa chamada Costa da Caparica, nao tinha quase ninguém, a praia muito limpa, gostei muito!
Ficamos o dia inteiro na praia, a água tava bem gelada mas isto nao me impediu de nadar, tava muito bom!
à noite, mais uma vez comer fora. Feijao preto. Mas gracas ao bom Deus nao tinha picanha. entao comi um belo pedaco de bacalhau. Tava bommmm…
Quarta-feira, dia da mulherada fazer compras. Fomos ao Bairro Alto e ao Chiado, tenho que admitir que o comércio local se parece bastante com o comércio local de cidades como Rio de Janeiro e Sao Paulo. E, como eu já tinha dito, com precos bem melhores que os da Alemanha. Eu me enchi um pouco de ficar lá vendo as meninas fazerem compras, pois eu nao iria comprar nada, mesmo, entao fui com uma das meninas – que tb nao tava curtindo nem um pouco o programa de compras – passear pela cidade.
Pegamos o ônibus elétrico, bem, na verdade, uma jardineira elétrica, muito parecida com a que tem em Curitiba (pra quem conhece a cidade), a linha 28, que é uma linha super tradicional em Lisboa, e atravessamos toda a cidade, uma coisa mais fofa!! Vimos todos os sobradinhos, e predinhos, e fachadas de azulejos, e passamos por ruazinhas tao estreitas que mal dava pra passar um único carro, e mesmo assim eram ruas de mao dupla. Passamos pela Sé Patriarcal, que, segundo as plaquinhas, foi construída sobre as ruínas de uma mesquita. Aliás, em Portugal dá pra ver muito da cultura moura e árabe de maneira geral.
A linha do ônibus acaba perto do Castelo de Sao Jorge, que foi construído e ocupado por romanos, visigodos e mouros, no passado, bem antes da chegada dos primeiros soberanos portugueses. Do castelo dá pra ver praticamente a cidade inteira, e a arquitetura é fantástica. Bem diferente de todos os padroes que eu tinha visto até entao aqui na Europa. Usamos um pouco do tempo para observar a Ponte 25 de abril, que é um tipo de cópia da Golden Gate, e no final da 25 de abril tem um tipo de cópia do Cristo Redentor… eita, portugueses copiões!!!
Descendo o Castelo, paramos no Miradouro de Santa Luzia, um canto muito lindinho com azulejos fofos e uma bela vista do bairro Alfama.
Na volta, passamos pela Rua Augusta, compramos uns badulaques na feirinha hippie, saímos pela praca do comércio, onde imponente há uma estátua de D. Joao I.
Voltamos.
Mortos de cansaco, passamos no hipermercado Carrefour (eeee…), compramos coisas pra cozinhar em casa. Macarrao com camaroes, hmmmm…
Passamos o resto da noite comendo, tomando vinho verde e jogando Poker até de madrugada… hehehehe, típico programa de férias na praia, né não?
Na quinta dividimos o grupo: metade foi à praia, metade (e eu nesta segunda metade) foi bater perna pela cidade. Desta vez optamos por um programa relativamente “alternativo”, mas nao menos turístico. Fomos visitar o Museu Nacional do Azulejo. Também, depois de tanto azulejo que a gente viu pela cidade inteira, tínhamos que visitar o museu!!
Noooooooooooooossa, ao contrário do que eu pensava, o museu é super bem organizado, muito bem feito, e está situado onde no passado foi o Convento Madre de Deus, ou seja, além dos azulejos próprios do convento – que sao lindíssimos – também tem a exposicao de azulejos, organizada de forma cronológica e por país. Sao quinhentos anos de arte em azulejo, amazing! A obra que mais me impressionou foi o painel de azulejos com Lisboa antes do terremoto de 1775. É um baita painel lindo, muito grande e muito bem feito.
À noite nos juntamos novamente e fomos fazer outro programa que me fez sentir saudade do Brasil: fomos a um shopping center!! Nossa, isso nao existe aqui na Alemanha, e eu achei que nao existia em toda a Europa. Mas as semelhancas entre Portugal e Brasil vao muito além do idioma, tinha horas que eu tinha quase certeza que estava no Brasil. (inclusive na hora de xingar os manés que faziam gracejos pra gente na rua… hehehehe!! Que legal xingar em portugues e os caras entenderem!!)
Adorei ir ao shopping, eu nem lembrava mais como é divertido ficar andando pra lá e pra cá feito bobo olhando vitrines, com toda seguranca e comodidade, mesmo que vc nao vá comprar nada…
… mas é muito difícil resistir às compras quando um shopping center tem uma enorme e maravilhosa FNAC!!! Ai, juro que tentei me segurar, mas os livros lá eram bem mais baratos que na Alemanha, e o melhor: em português!!!
)))
bom, mas tb nao comprei taaaaaanto assim, nao… foi sossegado!!
Sexta: praaaaaaaaaaaaia!!! Ah, gente, eu sei que muitos de vcs devem estar pensando: “nossa, como a Jaque é tonta… foi do Brasil à Europa pra ir à praia?!” Mas compreendam, a saudade era muito grande, nunca pensei que eu fosse sentir tanta falta de uma praia. E olha que no Brasil, mesmo gostando de praia, quantas vezes eu estava em Araruama e preferia ficar em casa ganhando cafuné da mãe a ir à praia…
… mas aqui a história é bem diferente. E eu tava com uma saudade danada da praia…
Sábado: novamente separamos o grupo, pois a minha passagem de volta à Alemanha era pra domingo, e eu ainda nao tinha visitado o Mosteiro dos Jerónimos, no Belém. Entao fui novamente ao Belém e dediquei a manhã inteira a visitar o Mosteiro.
Bom, e valeu a pena. O Mosteiro dos Jerónimos é maravilhoso. Tem um estilo curioso de arquitetura, que os próprios portugueses chamam de “manuelina” devido ao Rei D. Manuel I, que teria mandado erguer o prédio em louvor à monarquia portuguesa (o mosteiro comecou a ser construído em 1502). É um misto de gótico com pedras “rendadas” por talhes inspirados nos descobrimentos. Tem tantos detalhes que a gente fica até meio tonto, e com a impressao de que vai descobrir algum detalhe que nunca ninguém tinha visto antes…
Lá no Mosteiro estao as cinzas de Fernando Pessoa (nao sei bem por que, mas elas estao lá), e na capela do mosteiro nao tem como nao ficar boquiaberto com o teto cheio de relevos que se parecem com estrelas.
Além disso, nao vou mentir proceis… fiquei realmente emocionada quando vi a tumba de Luis de Camões e a de Vasco da Gama. Ali tao perto, parte da história de Portugal, parte da nossa história, tive que fotografar, fiquei realmente emocionada e fiquei tentando explicar pros japoneses quem eram aqueles dois sujeitos que ali jaziam, mas nao faz parte da história deles… bom, acho que eu tb nao ficaria muito emocionada ao visitar o mausoléu de algum personagem histórico japonês…
Depois de dedicar a manhã inteira e início da tarde no Mosteiro dos Jerónimos, passei na Pastelaria Belém e comi – óbvio – um dos famosos pastéis de belém, hmmmm… dilícia, um pastel de nata, um espetáculo!! Agora já posso dizer que comi um dos pastéis de belém lá no belém mesmo!
Depois peguei um carris (ônibus elétrico) até a praca do comércio, subi a rua augusta voando, visitei o Elevador da Justa, depois subi até a praca do Rossio e depois fui correndo à praca dos Restauradores. A cidade lotada de estrangeiros, pois no sábado comecou a Copa Européia de Futebol, e impressionantemente todos os precos aumentaram e a cidade fervia de estrangeiros de toda a Europa.
Bom, e a gente tinha combinado de ver o jogo de abertura da Copa (Portugal x Grécia) no mesmo boteco em que jantamos no primeiro dia em Portugal.
E por isso voltei voando da praca dos Restauradores até as docas (que era o ponto de encontro) pra nao perder o jogo.
Ainda nos perdemos no meio do caminho, mas enfim chegamos em cima da hora em casa, o suficiente pra eu pôr minha camiseta da selecao brasileira e irmos ao boteco.
Foi difícil assistir ao jogo em Portugal. O atual técnico da selecao portuguesa é o Luis Felipe Scolari, o mesmo técnico que levou o Brasil ao Pentacampeonato. Entao a pressao em cima dele tá forte, só que os portugueses jogaram muuuuuuuuuuuuito mal. Tadinhos, deve ter sido a emocao. Perderam de 1 a 0, mas a gente pelo menos se divertiu, eu com minha camiseta do Brasil, os alemaes com camiseta da selecao alema e uma das meninas, que é 1/2 alema, 1/2 francesa (a filha da Jacqueline) tava com a camiseta da selecao francesa. Apesar disso, tínhamos bandeirinhas de Portugal e torcemos MESMO, de coracao, pra Portugal ganhar. Mas nao deu. Tudo bem.
Domingo: Voltei!!! Peguei o aviao de volta à Alemanha, com escala em Zurique (óbvio, pois viajei pela Swiss), fiquei milhoes de horas esperando, mas por sorte eu tinha comprado umas revistas portuguesas, entao me diverti…
Cheguei a Erlangen MORTA de cansaço. Mas extremamente bronzeada pelo sol portugues, e sinceramente estou de dar inveja aos alemaes…
Bom, foi isso. Amei Lisboa. É tudo muito parecido com o Rio de Janeiro, até mesmo o caos e os trombadinhas e os vendedores de drogas e tudo o mais, mas nem por isso perde a beleza natural. Parece besta, mas o idioma tem muito a ver com a identidade de um povo. E um idioma tao musical como o Portugues pertence a povos realmente divertidos, curiosos, que mostram seus sentimentos de forma muito especial.
Adorei mesmo. Sei que nao deu tempo de ver tudo, mas… e quem é que tem tempo pra ver tudo?? A vida é curta, mesmo, entao o importante é que valha a pena.
Agora vou dormir, pois na Alemanha finalmente o sol se pôs.
beijos,
Jaque.
PS: como vc já devem ter percebido, as fotos de Lisboa já estao lá no site
http://photos.groups.yahoo.com/group/neues-von-jaque/, na pasta “17_Lisboa”. Se vcs tiverem alguma dificuldade pra visualizar, enviem-me um email, OK?