Oi, povo!!
Bom, acabei de voltar da França. Preparem-se, acabei de escrever 20 páginasde relato.
Ainda tá difícil encontrar adjetivos suficientes pra classificar estaviagem.
Mas eu usaria um substantivo pra resumir: foi um sonho!
Tá bom, foi fogo nao saber falar francês. Mas isto foi uma história à parte,conto adiante.
Eu e a Jacqueline saímos de Erlangen na quinta-feira logo após o almoco. Sevcs seguirem o mapa, podem ver que seguimos em direcao a Mannheim ,atravessamos a fronteira e pernoitamos já em solo francês, na cidade deRéims. Já dei risada porque o hotel em que ficamos ficava bem na frente dosupermercado Carefour. Me senti no Brasil.
No dia seguinte, passeamos pela cidade, e coisas curiosas me chamaram aatencao: tem uma sinalizacao no chao, em determinadas ruas, que é uma “faixade pedestres” pra cachorros. Fiquei me perguntando se os cachorros sóatravessam a rua nos lugares onde está marcado…
Bom, tem a catedral de Notre Dame de Réims. Já aqui vou esclarecendo umacoisa : praticamente todas as cidades da França têm uma catedral de NotreDame. Mas a que todo mundo conhece, a famosa, é a Notre Dame de Paris.
Mas voltando à Notre Dame de Réims : um detalhe sobre esta igreja é quetodos os reis franceses foram enterrados lá. Outro detalhe é que os vitraisda igreja foram pintados pelo famoso pintor russo que viveu na França (e diza lenda que viveu também na Alemanha) chamado Chagall. Eu vou começar adespejar a minha ignorância logo aqui, pois pra mim ele nunca tinha sidofamoso. Conheci-o, na verdade, lá na igreja, mesmo. Muito prazer.
Seguimos viagem, nao resisti e tirei uma foto da Leroy Merlin na estrada. Eutava quase me sentindo no Brasil. Atravessamos Paris pela periferia. Minhaprimeira impressao de Paris foi: “caraca!! Eu tou em Sao Paulo !! ” Muitocongestionamento no transito, um monte de túneis barulhentos e poluídos. Deusaudade de casa…
Mas nao paramos em Paris… ainda.
Seguimos adiante até a cidade de Rouen. Paramos por lá, a cidade é uma coisalindinha ! Foi lá, naquela cidade, que Joana D’Arc foi queimada. E, no lugarem que ela foi queimada, foi construída a igreja da Santa Joana D’Arc. Acidade inteira vive em torno disso. Nós já comecamos a sentir os aresmarítimos, pois estávamos chegando perto da costa. A própria cidade de Rouenjá tem meio cara de “praia”. Bom, de praia medieval, mas nao deixa de serpraia. Entao comemos peixe, compramos frutas, e seguimos até o litoral.
Chegamos à cidade de Fecamp. Foi a primeira vez na minha vida que vi oOceano Atlântico do outro lado, digo, visto da Europa, e nao da AméricaLatina. Ele é azul igualzinho!!
O dia tava bonito pra caramba, apesar do frio. Passeamos um pouco pela praiamas já pegamos estrada, pois eu tava curiosa pra conhecer a “Pont duNormandie”. É a maior ponte suspensa do mundo!! Nao vou mentir, eu fiqueicom cara de caipira na cidade grande…
O tempo fechou um pouco, mas nossa animacao nao diminuiu. Avancamos pelacidade de Caen e fomos subindo até chegar, no final do dia, à cidade dePontorson, que é onde a família da Jacqueline mora.
Comecou entao a história do idioma. Até entao eu só tinha estado em um lugarno qual eu desconhecia completamente o idioma: Praga. Bom, eles falam“tcheco” lá. Mas, como eu nao tive que interagir com os habitantes locais(no máximo pra pedir comida em restaurante ou coisa parecida, e pra isso oscaras entendiam alemao e ingles), nao tive problemas.
Mas na Franca foi diferente. Eu fiquei hospedada na casa da mae daJacqueline, e a velhinha só fala francês. Aliás, na cidade de Pontorsonninguém fala ingles. No correio tinha um cara que falava um pouco de alemao,mas fora isso nem a funcionária do centro turístico fala ingles direito!!!Pensei: “aimeudeusdoceu, o que é que eu vou fazer?!”
A verdade é que eu já tava ouvindo rádio em francês há pelo menos 5 horas, esó músicas em francês, e, quando todo mundo comecou a falar só em francês emvolta de mim, alguma coisa aconteceu e eu comecei de repente a entenderalguma coisa do que eles falavam! Bem, eu diria… dava pra entender 30% daspalavras, e mais uns 30% dos sinais paralinguísticos. No total, eu entendia60% e, considerando o contexto, até que eu entendia bem todo mundo. Oproblema é que ninguém entendia o que EU falava!!! Nao tinha jeito, eufalava inglês, ninguém entendia… alemao, nem tentei! Arrisquei espanhol, opessoal nem tentava. Portugues, dava na mesma… o engracado foi que tinhaum sobrinho da Jacquie que resolveu dar em cima de mim, mas o cara naofalava nem uma única palavra em qq outro idioma que nao fosse frances. Eunao tinha nem como dar um fora “à francesa”, pois eu nao sei falar frances,entao pedi pra Jacquie pra dizer a ele: “seguinte, meu amigo: eu falo quatroidiomas, voce só fala um, que por acaso eu nao falo… assim nao tem jogo!!”. Falei que quando ele aprender alemao a gente volta a conversar.
Rerererere, eu fui malvada, né nao???
A família da Jacqueline vive no campo. Eles vivem do trabalho no campo. Oscaras ralam MUITO e nao descansam nunca. Foi difícil segurar a mae dela, porexemplo. A velhinha tem uns 85 anos e nao pára quieta. Diz que trabalhou avida inteira desde a hora em que acorda até a hora em que o sol se poe. Eque nao sabe fazer diferente. Pra mim foi ótimo conversar com ela. Euentendia pouco, ela nao entendia nada, mas nós duas nos entendemos muito
bem!!
Daí fomos conhecer… O MONTE SAO MIGUEL!! (ou “Mont-Saint-Michel”, nalíngua original). O Monte Sao Miguel é um espetáculo, primeiro da obra danatureza e depois da obra humana. O monte fica no meio de um espelho d’água(mas tem um braço de terra ligando ao continente) formado pelo mar, bem nadivisa entre a Normandia e a Bretonia. Quando a maré tá alta, só dá pra irlá ou pelo braço de terra, ou de barco. Quando a maré tá baixa, e istosignifica baixa MESMO, dá pra ir andando pelo lugar onde antes estava o mar.Gente, é maravilhoso!! Eu nunca vi uma diferenca de maré baixa/alta taogrande!! Quando a maré baixa, o mar recua quilômetros e quilômetros, aperder de vista!!! É uma doideira, eu mal acreditei!!! E esta baixa/alta da
maré acontece (obviamente) todo dia !!
Vem entao a obra da humanidade: em cima do monte foi construído um mosteiroimenso, gigante, maravilhoso!
Diz a lenda que Sao Miguel teria ordenado a um determinado padre queconstruísse uma abadia sobre o monte. E a obra comecou no ano de 708 d.C. Aabadia comecou a ficar famosa e muitos peregrinos comecaram a visitá-la,muitos cavaleiros buscavam abrigo ali durante as cruzadas, e por conta dissovárias novas partes foram sendo adicionadas, de forma que o mosteiro demorouuns 1000 anos pra ficar pronto. Quando a gente passeia pela construcao, dápra ver claramente que os estilos arquitetonicos sao distintos, e também aforma como as pequenas capelas e saloes e cantinhos esquisitos feitos prameditacao e oracao estao dispostos de uma maneira nao-linear. Uma coisa queeu achei genial foi o escritório. Eu também nao sabia, mas boa parte dascópias de escrituras antigas que existiam na Europa foi feita no Monte SaoMiguel. Os monges que lá viviam eram famosos pelas cópias de qualidade quefaziam. (inclusive eu vi algumas escrituras copiadas de tapeçarias no museudo Louvre, em Paris). E, por conta disso, o escritório era um lugarprivilegiado do mosteiro. É praticamente um jardim de inverno, de tao bemiluminado e protegido do frio.
Além disso, o refeitorio principal dos monges é uma sala muito interessante.A acústica é assombrosa, e além disso, apesar de ser iluminado por váliasjanelas, se vc olha o refeitorio de frente, vc nao vê absolutamente nenhumadas janelas. Acho que os arquitetos de igrejas e mosteiros têm estapreocupacao, mesmo, pois o mesmo fenômeno eu já tinha visto na igreja
Frauenkirche lá em Munique.
Além do mosteiro em si, sobre o Monte Sao Miguel tem também a vila ondeviviam as pessoas que por ali foram ficando. A vila é muito doida!Claramente foi construída “aos remendos”, de forma que as casinhas saoamontoadas, e mais tarde foram construídos muralhas e muros de arrimo que”seguravam” as casinhas juntas em forma de vila. Hoje nestas casinhasfuncionam restaurantes, hotéis, lojinhas de souvenirs e inclusive ainda há
pessoas que moram lá…
Mais um detalhe sobre o mosteiro é que, após a Revolucao Francesa, eleserviu como prisao política. Eu particularmente nao vi nenhuma instalacaoespecífica de prisao, mas acho que de qq forma nao deve ter sido muito ruim
ficar preso lá…
Assim foram os dias em Pontorson: curtir o Monte Sao Miguel e curtir apraia!!! Ah, a praia!!! Tá bom, tava frio, entao “curtir a praia ” nao teveexatamente o mesmo sentido que normalmente tem no Brasil. E foi MUITO legal!Fizemos caminhadas e caminhadas pela orla, catamos conchas, vimos peixescuriosos, subimos morrinhos de pedras, e fomos seguindo conhecendo a orla emoutras cidades como Cancale e Sant-Malo. Foi nestas cidade que tive aexperiencia gastronômica mais… curiosa… da minha vida.
Pela primeira vez comi OSTRA.
Nao vou mentir pra voces, fiquei entusiasmada com o ar marítimo, todo mundosentado nos barzinhos à beira mar, e as barraquinhas vendendo ostras eramtao apetitosas… daí a vendedora abriu uma ostra e disse: “prova, táfresquinha!!”
Ai…. foi difícil, gente!!! Aquela meleca branca, parecendo que ainda tavaviva…. crua, sem tempero, sem limaozinho, simplesmente “in natura”,parecia um ranho de nariz… mas eu pensei: “caraca, eu TENHO que provareste troço, nem que seja pra dizer que odiei!!”.
O pior de tudo foi que eu adorei!!!
Pô, e nao é que, apesar da aparencia esquisita, o tal do bicho é gostoso? Dámeio nojinho, mas até que nao é ruim, nao…
… mas digamos que, se for pra comer comida típica francesa, acho que ainda
optarei pelas pommes frites (batatas fritas), rerererererere…
Já que toquei no assunto, falemos entao da culinária francesa.
Os franceses adoram cozinhar. E também adoram comer!! E na mesa de umfrances nao pode faltar: carne (caraca!! Como estes caras comem carne!!),baguete (óbvio, típico!!) e pommes frites.
A história da baguete é mesmo curiosa. Nenhum frances faz uma refeicao semcomer nacos de baguete como acompanhamento. As baguetes sao feitas da mesmamassa do pao frances que a gente conhece no Brasil, mas curiosamente naFrança nao existe pao francês…
Além disso, se vc vai comer num restaurante, eles trazem porcoes e porcoesde batata frita como se fosse pao.
Mas eu diria que o segredo da culinária francesa reside no fato de que osfranceses gostam MESMO de comer BEM. E comer bem pra eles significa comercoisas que foram muito bem preparadas. E eles acham que nenhuma comida pode
ser bem preparada se for feita em grande quantidade.
Daí que uma refeicao decente à moda francesa tem pelo menos uns 4 pratosdiferentes. Um antepasto, que em geral é algum tipo de patê feito de algumtipo de carne (eles comem muito um tal dum patê que é feito de fígado deganso. Na verdade, tenho a impressao de que nem é um patê, e sim o fígado docoitado do ganso in natura… tadinho…), e nacos de baguete. Às vezesenvolve também alguns pedacos de legumes crus a serem molhados em algum patêde ervas (eu particularmente sempre agradeci quando havia esta opcao).
Depois vem a entrada. Pode ser uma sopa, se voce tiver sorte. Ou pode seralguma opcao agridoce pra lá de exótica, como fatias de abacate imersas emum molho que eles chamam de vinagrete (muito bom !! consiste em mostardatípica francesa – que é bem picante! – batida com azeite de oliva, pimentamoída e uma folhinha de louro, além de sal, claro!!)
Além da opcao agridoce, voce pode ter sorte e ter uma deliciosa salada dealface e tomate-cereja como entrada, mas o molho continua sendo agridoce!!
Daí vem o primeiro prato principal, que é uma carne com molho e um pouco dearroz. Pode ser carne de peixe, frango, vaca ou porco.
Entao vem o segundo prato principal, que é outra carne (obrigatoriamentediferente da carne do primeiro prato principal), com outro molho e com outrocarboidrato, que pode ser algum macarrao sem molho ou simplesmente nacos debaguete.
Depois de toda esta festa vêm entao as sobremesas – quase sempre é bolo defrutas. Pelo que pude perceber, os franceses nao gostam muito de bolos comcremes e gorduras, nao… na maioria eram bolos de frutas, bem gostosos. Porcima do bolo vai sempre um molho que em geral é um concentrado de frutas(morango ou maracujá).
Daí vem o cafezinho
E entao um golinho de licor.
Durante toda a refeicao, todo bom francês toma pelo menos uns dois tipos
diferentes de vinho.
Ficaram de estômago cheio só de pensar nesta festa glutona???
Pois fiquem tranquilos. Isto é o almoco de fim de semana dos franceses. Naprática, o que todo mundo come é bife com batata frita. E nacos de baguete.
Por mais que a Jacqueline insista em dizer o contrário, senti falta de comermais verduras. Eles quase nao tem saladas legais. Mesmo na regiao rural,
parece que os caras curtem mesmo é carne.
Terminado o capítulo gastronômico (ei !! Eu avisei no início que eu ia
escrever muito, nao avisei????), voltemos ao curso normal da história.
Depois de festejarmos a Páscoa, depois de passearmos bastante pela praia…
pegamos estrada na terca-feira rumo a… PARIS !!!!
Oui, oui, oui…
Paris, Paris….
Caramba, por onde vou comecar ?
Ah, sim. Havíamos combinado com o primo da Jacqueline de ficarmos na casadele durante os 4 dias de Paris. Ele mora numa parte da cidade chamadaBelville. Quando chegamos lá, pensei que havíamos errado de país.Absolutamente TODAS as placas de TODAS as lojas estavam escritas em chinês.
A Jacquie me explicou que Belville é a regiao de Paris habitada praticamenteapenas por chineses, tailandeses e africanos em geral, principalmentesulafricanos. Eu tenho que acreditar no que ela diz, pois na rua eupraticamente só vi negros ou chineses/tailandeses. E gostei muito disso,pois os restaurantes chineses e tailandeses dali sao muito bons !! Fora ofato de que as lojas de mantimentos dali têm uma variedade de alimentos, defrutas frescas e secas e tudo o mais que vcs nao acreditam !!
Agora… imaginem o meu sufoco, ao sair do apartamento do primo daJacqueline e ter certeza ABSOLUTA que ninguém entenderia o meu idioma…isto foi uma agonia. Mas as pessoas foram simpáticas o suficiente e seesforçaram muito em me entender e serem entendidas. No final das contas, deu
tudo certo!!
Mas vamos a Paris novamente… já na terca-feira, mesmo, resolvemos baterperna. Vimos a prefeitura de Paris (que se chama “Hôtel de Ville”, umaparticularidade do idioma francês, pois a palavra “hôtel” significasimplesmente uma casa antiga… olha a confusao!!), o Conciergerie (oPalácio da Justica, acho que tá fechado, a gente nao entrou lá) a catedralde Notre Dame (desta vez, sim, a famosa catedral!! Caraca!! Como ela éenorme!!), onde estava acontecendo uma missa de páscoa para todos os jovensfranceses, a catedral estava lotada de adolescentes barulhentos!!! Mesmoassim, dava pra ver que ela é linda!!
Além disso visitamos o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou ea fonte de água com figuras engracadas e coloridas que fica ali do lado.Além disso, simplesmente passeamos pelas ruas de Paris pra nos sentirmos”parisienses”. Bebemos Orangina (um tipo de refrigerante de laranja,teoricamente feito da pura polpa da laranja em água gaseificada, mas euinsisto em dizer que tem gosto de vitamina C efervescente…), comemosbatata frita. Levamos cantadas dos garçons. Fomos bater perna na GaleriaLafayete, o primeiro Shopping Center do mundo!! (foi a primeira vez quealguém pensou em colocar várias lojas juntas num mesmo prédio). Daí já era
tarde, voltamos pra casa.
Quarta-feira. Passamos na Fnac!!! É, minha gente… NA FNAC, na original, namaravilhosa. Um andar inteiro só de joguinhos de computador e voce podeficar o dia inteiro jogando!! O problema é que todos os joguinhos saotraduzidos pro francês!!! :-/
Passeamos pelo centro, onde ficam as lojas mais chiques de todo o planeta. Oimpressionante é que no centro tem umas casas velhas, caindo aos pedaços, e,do lado daquele sebo/brechó (livros usados a 1 Euro cada !!) que pertence aum velhinho de óculos, fica a Grand Maison de Jean Paul Gaultier, na qualuma blusinha básica na vitrine custa a bagatela de MIL E QUINHENTOS EUROS !!Voces entenderam ?? 1500 Euros sao uns 5000 reais, numa blusinha do Gaultier!!! :-O
Obviamente que eu comprei umas seis, uma de cada cor… :-/
Continuamos nosso passeio entre Channel, Dior, Armani, Bvlgari e outrostantos nomes que eu nunca tinha ouvido na vida, mas que tinham precossimilares ao Gaultier. Acho que eles competem pra ver quem faz o preco maisabsurdo.
Visitamos o Hôtel des Invalides, que pelo que entendi foi um complexoconstruído por um Luís (Luís XIV, talvez ?? nao lembro mais…) para osferidos em guerra. O prédio é maravilhoso, e da cúpula dá pra ter uma boavisao desta parte da cidade. Depois disso fomos ao parque do Trocadero(diz-se “trocaderô”), e enfim à TORRE EIFFEL!!! Bom, foi a partir daí que aJacqueline falou: “ah, a partir daqui é coisa só pra turista, eu nao vou comvoce !! “, entao comecou minha jornada solitária pela cidade que nuncadorme.
OBVIAMENTE que eu subi na torre, ué !! “caiu na chuva é pra se queimar”, nao
é o que dizem ???
Noooooooooooossa, eu nao conheço vocábulos suficientes para descrever comofoi doido subir na Torre Eiffel !! Eu paguei os olhos da cara, mas subilaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa em cimão !!! (aliás, tudo em Paris custa os olhos dacara !!). Resumindo: se voce visitar a Torre Eiffel no primeiro dia queestiver em Paris, nao precisará comprar um mapa da cidade. É incrível, avista é maravilhosa e além disso os caras fizeram uns trocos legais lá emcima, uns filminhos explicando como eles fazem a conservacao da torre, etambém contando a história da torre, os acidentes que já ocorreram e asmodificacoes na estrutura. Eu fiquei umas boas quatro horas lá em cima. Fizanotacoes. Planejei os lugares em que iria depois dali, tudo no “olhômetro”,já que o mapa da cidade estava ali bem na minha frente. A torre tem 320m dealtura, e dá pra ver a cidade inteira, o que significa que a cidade nao éassim tao grande. Eu decidi que nao iria andar de metrô, já que a cidade naoé tao grande. Mas mais tarde optei por andar de metrô pra evitar os boêmiosbêbados e galanteadores e também pra passear embaixo da terra !
Daí saí da Torre Eiffel e fui direto ao Arco do Triunfo. CARACA!!! Naopensei que o raio do arco fosse tao grande!!! Eu quis subir até o mirante,mas os caras também cobram os olhos da cara pra vc ir lá em cima. Desisti, enao me arrependi. Depois que vc foi lá em cima da Torre Eiffel, o resto éfichinha…
Fiquei lá no Arco do Triunfo tirando fotos, lendo as placas e homenagensfeitas, observando as pessoas que iam e vinham, e depois comecei a longa
caminhada pela… AVENIDA DU CHAMPS ÉLYSÉES!!!
Gente, eu sei que eu sou uma esculachada, mas foi só eu pôr o pé naquelaavenida que comecei a me sentir chiquérrima… caramba, eu paseei pelaChamps Élysées !! Tanta gente faz isso todo dia e nao percebe como isto é oM-Á-X-I-M-O de chique, e eu lá, dando sopa, e olha que pra passear naavenida voce nem paga nada, rerererere…
Bom, em resumo, nao existe absolutamente nenhum prédio feio na Avenida. E amaioria das pessoas que por lá transita também é de uma beleza… francesa.Ou chinesa. Ou africana. Ou tailandesa.
Passei na frente de outra FNAC. Aliás, acho que só na Champs Élysées temumas 3 ou 4 Fnacs…
Nao resisti quando passei na frente da Louis Vuilton, que é um prédio enormeem formato de mala com o símbolo da grife. E pensar que há 2 anos eu nuncatinha ouvido falar na marca, só fiquei sabendo dela porque teve uma bolsinhaa tiracolo que foi vendida certa vez em Sao Paulo pela merreca de 19.000reais, e quando eu li no jornal isso fiquei passada, principalmente porqueas peruas paulistanas se acotovelavam na frente da loja e achavam injustoque a loja limitasse o número máximo para compra de 3 unidades…
A minha vinganca contra as peruas foi quando eu troquei idéia com umafrancesa e ela disse que “Louis Vuilton é coisa de gente velha e sem estilo,que acha que uma LV vai salvar a reputacao de alguém”. Tomem essa, peruas!!!(certamente a francesa que me disse isso tava usando uma blusinha doGaultier).
Depois vi tanta coisa linda naquela avenida, outras coisas nem tao lindas,tipo um mural enorme com uma foto gigantesca do Ronaldinho Gaúcho, mas tudobem, pelo menos foi uma homenagem ao meu país. Aliás, a maioria das lojas emque entrei em Paris tinham música brasileira como som ambiente. Acho que os
parisienses sao chegados aos brasileiros…
Visitei ainda umas duas outras Fnacs até que cheguei à Virgin Megastore !!!
:-O
:-O
:-O
Eu paguei um pau praquela loja !!! Quatro andares de pura música, cinema elivros !!! Eu nao sabia onde olhar primeiro, mas levei alguns minutos praperceber que, sendo 99,9% dos livros e 100% dos filmes em francês,recolhi-me à minha humildade e ignorância e fiquei olhando só os CDs,mesmo… o que nao me aliviou de deixar uma pequena fortuna no caixa daloja!! Achei algumas coisas que eu nunca tinha achado antes, e ainda porcima a precos bem acessíveis!! Eu já tava preparada pra voltar toda contentepra casa, mas resolvi ir até o Museu do Louvre pra vê-lo à noite (o Arco doTriunfo fica numa ponta da Champs Élysées e o Museu do Louvre fica na outraponta).
Estava a caminho quando nao me contive ao ver uma das coisas urbanas maislindas que já vi até hoje: a Torre Eiffel iluminada, à noite.
Fiquei hipnotizada, olhando pra cima com cara de boba, sem conseguir pensardireito. Fui seguindo pelas ruas até chegar ao pé da torre, fiquei láolhando, pensando “como é bom ter olhos pra ver isso”. Nada mais me ocorreu.Fiquei lá, cheguei a tirar fotos e gravar um filminho, mas nao tem nem
comparacao. Aquilo lá é lindo demais.
Voltei pra casa flutuando, dormi que nem uma pedra.
Quinta-feira: pulei da cama cedo, as batatas das pernas doendo de tantoandar no dia anterior (acho que Paris nao é assim tao pequena quanto euimaginava…). Meu objetivo era muito claro: visitar o Moulin Rouge, aSacré-Coeur, o Museu de Montmartre e depois disso passar o resto do meu diadentro do Museu do Louvre!!!
E assim foi. Fui toda animada à regiao “mundana” da cidade. Desci na estacaode metro na frente do Moulin Rouge e fiquei me perguntando: “ué, cadê oMoulin Rouge???” Eu imaginava um moinho vermelho enorme, ocupando uns doisou tres quarteiroes, cheio de vedetes dancando can can na frente…
Mas qual foi minha tristeza quando vi que a lendária casa de shows érealmente apenas uma casa de shows. Centenária, é verdade, mas é apenas umacasa de shows. Para um transeunte desavisado, ela poderia passardespercebida.
Mas eu nao me dei por vencida e me sentei bem na frente do Moulin Rouge efiquei lá apreciando, tirando fotos, vendo as prostitutas e os travestis queandavam pra lá e pra cá àquela hora da manha. Nao demorou muito e eu leveiumas cantadas e um cara tentou me vender calcinhas perfumadas. Típico.Também, se vc olhar em volta, só tem casas de shows, lojas de videos pornôs,lojas de lingeries exóticas… e é por isso que o bairro é famoso e atraituristas do mundo inteiro… justamente por isso perdi uma horinha ali pra
sentir o clima.
Mas já fui pegando o caminho pro Sacré-Coeur, que é pertinho do MoulinRouge, só que “morro acima”. Enquanto eu subia o morro, encontrei duasalemazinhas perdidas no meio do caminho, ajudei-as a se localizarem por ali(foi bom falar com alguém que entendesse o meu idioma!!), e também passeipor umas ruazinhas um tanto alternativas. A atmosfera comecou a mudar eficou com mais cara artística do que boêmia. Foi entao que deparei com umavitrine com uns quadros muito legais, e achei curioso o nome do artista,”André Martins de Barros”. O nome parecia tao brasileiro que eu tive quetocar a campainha pra conversar com o cara. Era um velhinho, masinfelizmente ele nem era brasileiro, nem falava ingles nem espanhol nemportugues. Eu nao tentei alemao, mas acho que tb nao iria dar… mesmoassim, ele foi muito simpático, mostrou os quadros dele com muito amor ecarinho, e tb sugeriu que eu visitasse o site dele. Ainda nao visitei, mas
vai aí a dica pra voces: www.martinsdebarros.com
Finalmente cheguei à pracinha da feira de artesanatos que fica perto doSacré-Coeur. Os franceses que me perdoem, mas é idêntica à pracinha deartesanatos de Buenos Aires!!! Os mesmos pintores fazendo fotos dostranseuntes, pintando paisagens da cidade… a única diferenca é que,enquanto os portenhos pintam a Casa Rosada e as prostitutas da La Boca, osparisienses pintam a Torre Eiffel e as vedetes do Moulin Rouge… acho que adiferenca é sensível…
Tou brincando, tou brincando. Na verdade, pelo que entendi, os artistas alisao uma tradicao, um tipo de saudosismo hippie. Ficam na frente da Capela deMontmaitre, atrás do Sacré-Coeur. Fiquei uns minutinhos ali, e fui dando avolta até me deparar com a fachada do Sacré-Coeur. Já fiquei de caraboquiaberta por causa da imponência do prédio, as cúpulas num estilo meiooriental, e aquele montao de gente entrando e saindo…
Daí eu entrei lá. Tinha um cartaz enorme dizendo: “isto aqui é uma igreja enao um museu. Por favor nao tire fotos, nao grave, nao traga animais,vista-se apropriadamente e comporte-se de acordo”. De repente me caiu aficha que realmente era uma igreja. E, embora eu também ache que as pessoasnao devam levar animais e devam comportar-se de acordo em museus, percebique, por mais eu eu estivesse em Paris, achando tudo lindo, nao poderia me
esquecer de que ali era uma igreja.
… e que igreja!!!
Nao vou mentir pra voces. Vieram-me lágrimas aos olhos. O Sacré-Coeur éfabuloso, por dentro!!! As pinturas, por dentro da cúpula, os quadros, aprópria disposicao do altar, e ainda mais a fé com que as pessoas vinham eoravam para a aquele Jesus enorme pintado em ouro… foi incrível. Realmentenao sei quanto tempo fiquei ali admirando tudo isso.
Só sei que quando me dei conta, nao dava mais tempo de almocar e eu saí
correndo em direcao ao Museu do Louvre.
Bom, O MUSEU DO LOUVRE.
Eu já escrevi um livro até aqui. Dava pra escrever uma enciclopédia só sobreo Louvre. E isto nao é forca de expressao.
Pra vcs terem uma idéia, fiquei quase SEIS horas dentro do museu, sem comer,correndo feito uma louca pra lá e pra cá, e nao vi nem 20% do que eu haviaplanejado ver. E, pelas contas da Jacqueline, nao vi nem 3% do acervo domuseu.
A estratégia que usei foi copiada de uma amiga minha que foi no ano passadoao Louvre: defini quais eram as obras que eu queria ver, e corri feito odiabo pra conseguir ve-las. Claro que nao deu.
Eu comecei pelas mais famosas, pois eu nao me perdoaria nunca se saíssedaquele museu sem ver a Mona Lisa, a Venus de Milo, a Vitória Alada, osTouros Alados, enfim… comecei pelo “básico “, e nem sequer consegui
terminá-lo…
- A Mona Lisa : eita quadrinho sem graça!! Como pode ser tao famoso?? Aliás,foi facílimo achá-la: era só seguir a multidao, e onde estivesse tudomuvucado, era só ir lá. É proibido tirar foto. Mas todo mundo estavatirando, e com flash!!! Eu só posso crer que o vidro que fica na frente doquadro seja tratado para que os flashes nao estraguem a imagem. De qq forma,embora fosse proibido, tirei a foto da mulher feia e gorda com cara de quem
acabou de soltar um “pum”.
- A Venus de Milo: ela é bonitona!! Deve ser filha do Joao-sem-Braço (ai,
que piadinha infeliz!!), mas é bonitona…
- A Vitória Alada: é a escultura mais bonita que eu já vi. Nao sei explicarpor quê, mas a postura do corpo e das asas realmente dao a sensacao deliberdade e vitória. E… ahá!! Eu já fui lá avisada pela minha amiga de queo símbolo daquela marca de tênis, “Nike”, nada mais é do que o desenhoestilizado das asas da Vitória Alada. E nao é que é mesmo???? E foi entaoque eu me toquei que o nome da escultura em italiano é mesmo “Nike”. Fiquei
me sentindo meio burrona, mas tudo bem.
- Os Touros Alados (esculturas mesopotâmicas enormes). Desde que eu vi asfotos deles no meu livro de história da sétima série que eu sempre desejeiMUITO ver as esculturas tete-a-tete…. e eu vi !!! Eu nem acreditava, tivevontade de pôr a mao, mas tem um sistema de alarme que nao permite que agente chegue tao perto… que pena!! Mas eu tirei fotos com eles, pelo menos
é uma lembranca, caso algum dia a minha memória venha a falhar…
Nao vou escrever uma enciclopédia sobre o que há de lindo no museu. Isto vcspodem ver sozinhos no www.louvre.fr. Mas aqui estao algumas outras coisasque achei muito legais: a coroa de diamantes de Luis XV; quase todos osquadros da virgem Maria e Jesus; o quadro gigante “Festa de Casamento”; Osapartamentos de Napoleao III; o quadro “Banho Turco” ; praticamente toda asessao egípcia; o quadro da coroacao de Napoleao; o quadro “A liberdadelidera os homens”… enfim, eu nao sou nenhuma entendida de arte. Só sei
dizer que achei tudo muito lindo.
E conheci um velhinho extremamente interessante na sessao de pinturasespanholas. Ele mora em Paris há alguns anos e está aposentado. Segundo ele,há meses que ele vai toda quinta-feira ao museu do Louvre. Ele tem um mapado museu, e o objetivo dele é olhar absolutamente TODAS as obras do museu eescrever suas próprias impressoes sobre cada uma delas em seus caderninhos.Ele passa todas as quintas-feiras absolutamente o dia inteiro no museu e jáfaz isso há alguns meses. Pelo que entendi, ela ainda nao viu nem 5% das
obras.
… imaginem se eu teria a audácia de ver tudo em apenas seis horas…
E entao vcs podem adivinhar que, depois de um dia desses, tudo o que euqueria era uma cama pra dormir!!! Mas, como a Jacqueline e o primo delatinham saído pra jantar, tive que ficar mais umas horas andando pela cidadeaté que tivesse alguém em casa. Me sentei confortavelmente num bar na ChampsÉlysées e saboreei uma garrafa de vinho frances. Existem certos prazeres que
a gente só tem uma vez na vida. Este foi um deles.
Sexta-feira, eu tava quase com a missao cumprida!!
Cedinho: fui visitar a praca da Bastilha e a ópera da Bastilha. Na verdade,nao tem muito o que ver, é praticamente o obelisco onde ficava a Bastilha,no passado (a Bastilha era uma prisao, símbolo da Monarquia Absolutista. Aqueda da Bastilha foi um marco, o fim do Absolutismo, início de uma era deliberdade, igualdade e fraternidade, ou seja: o poder saiu da mao do rei,passou pra mao dos comerciantes e elite cultural, e o povo coitado continuoupassando fome…). Depois da Bastilha, aproveitei o sol e o calor (tavamuuuuuuuito bom) na praca “de Vosges” e já fui batendo pernas até oPantheon… meu queixo caiu mais uma vez, pois eu tb nao imaginava que oprédio fosse tao grande!! Na verdade, minha ignorancia era tao grande que eusempre achei que o Pantheon fosse um tipo de instituto científico, tipo, oprédio principal da universidade da cidade. Mas nao, descobri que o Pantheonfoi construído pra ser uma igreja em homenagem à Santa Genoveva, padroeirade Paris. Só no meio da construcao, (quando estourou a Revolucao Francesa) éque o Pantheon virou o centro das ciencias.
Do Pantheon passei correndo na frente da Sorbonne, a famosa Universidade,mas era só um prédio, e como o sol tava bom demais da conta fui até o Jardimde Luxemburgo e fiquei lagarteando ao sol (assim como centenas de franceses)e admirando o palácio de Luxemburgo. Quase perdi o horário de encontrar aJacqueline no centro.
Bom, a atividade da sexta-feira à tarde foi a pior e mais cansativa detodas: fazer compras. Eu e a Jacqueline andamos, andamos, andamos,andamos… e ainda se fosse uma caminhada, mas nao !! A gente andava,parava. Olhava lojas. Andava mais um pouquinho. Olhava outras lojas. Parava.Foi um suplício. Mas no final do dia compensou, pois fomos comer comida
tailandesa e eu estava realmente FAMINTA.
Sábado: tomamos café da manha à francesa (com baguete e croissant) e pegamosestrada de volta à Alemanha.
E, pros que leram até aqui, já tou quase acabando!!!
Chegar da Franca me deixou meio deprimida, me deu uma tristeza ter queacabar com as férias. Mas me animei ao escrever este texto aqui. Nao sei se
alguém vai ler. Bem, acho que eu vou.
Minha conclusao : eu amei a França!!! As coisas lá sao caóticas, baguncadas,e por isso mesmo divertidas !! Eu tive que xingar os caras que passavamcantadas na rua, tive que segurar a bolsa com atencao pra nao ser assaltada,deparei com mendigos e pivetes na rua, com desempregados que cantam dentrodo metrô pra ganhar um trocado, com negros, amarelos, brancos, vermelhos…a França é miscigenada, ou melhor, serei específica : Paris. A cidade é umaloucura, nao é como as cidades alemas, onde tudo é limpo, organizado eseguro, onde todos confiam na justica e na educacao dos outros. Ter tudo emordem é legal e limpo, mas às vezes é também meio chato.
Talvez isto explique um pouco porque os alemaes sao tao tímidos e bemcomportados enquanto os franceses vivem cantando ou chorando pelas ruas…sei lá. Eu nao entendo muito de nenhum dos dois países, estou aqui há poucotempo. Só sei que adoro a Alemanha e agora adoro também a França. Mas antesdisso eu já adorava o Brasil. Puxa, eu devo mesmo ter um coracao bem
grande….
É isso. Acabou o suplício de quem leu até agora!!!
Bisous e au revoir!!!
Jaque.


